Em tempos de escutas legais ou ilegais, discute-se o público e o privado. O que está por trás disso? Numa primeira reflexão sobre essas palavras, o que sobressai é o contraponto entre a individualidade e a coletividade, valores essenciais que precisamos equilibrar para viver. Veja definições e opiniões de pessoas entrevistadas, de internautas e da autora do blog.
ENTREVISTAS
Jackeline Caixeta de Almeida, 23 anos, recepcionista e estudante universitária.
Público é o principal. A gente trabalha em função dele, para ele.
Privado é algo de quem alguém é dono.
Grampos? Acho ótimo, qualquer coisa que se faça para descobrir as falcatruas é ótimo, para melhorar nosso país.
Francisco José Araújo Martins, 42 anos, motorista de táxi
Público é órgão público, que está para todo mundo, é liberado.
Privado é um local ao qual algumas pessoas podem ir, mas não é para todo mundo.
Grampos? Para mim tanto faz. Só quem faz coisa errada, e aí tem que grampear mesmo, para a polícia pegar.
Conceição de Maria Barros Lima, 36 anos, empregada doméstica
Público é alguma coisa que a gente pode usar.
Privado é algo que poucas pessoas têm acesso
Grampo é invasão de privacidade
COMENTÁRIOS
Quem é que manda...
Grande idéia; ajuda a gente a pensar. Leitura obrigatória. Por favor inclua meu endereço no teu mailing. A propósito, gosto muito dessa idéia de cuidar das palavras, principalmente no sentido de cuidar do que a gente diz. Veja só esse trechinho de Alice no país dos espelhos, de Lewis Carroll: "Quando eu utilizo uma palavra - disse Humpty Dumpty, em um tom de grande sarcasmo -, ela significa exatamente o que quero que signifique, nem mais, nem menos. - Mas a questão é - disse Alice - se você tem o direito de fazer as palavras significarem para você coisas diferentes do que elas querem dizer para as outras pessoas!...- A questão é - afirmou Humpty Dumpty - quem é que manda aqui. Só isso."
Comentário de Helio Gama, jornalista
Maria Truccolo disse...
Na minha opinião, o problema não é o grampo, mas as falcatruas descobertas por ele. Se não há falcatruas, não há por que temer o grampo. Nunca vi notícia sobre conversas íntimas e pessoais sendo publicadas. Somente as que dizem respeito à coisa pública e isso me interessa muito, seja em qual for o governo e sob qual for a sigla que estiver no comando, porque somos nós, o público, que financiamos este país. A Abin deveria ser independente e grampear todos os envolvidos com a coisa pública (inclusive os membros da Abin). Quem quisesse ser "homem/mulher público", teria que aceitar esta condição. Selvagem? Sim. E quem disse que este país é muito mais civilizado do que isso?
16 de Setembro de 2008 17:50
Regina responde:
Não é tão simples assim, dizer quem não age errado não teme. As pessoas têm direito ao anonimato em sua vida privada. Quem não escolheu ser uma celebridade, não está disposto a expor suas intimidades. O grampo resulta em invasão da privacidade, mesmo que esse não seja seu objeto. Por isso é importante ter uma legislação que estabeleça critérios e regras claras, não apenas sobre a aplicação do grampo mas quanto ao material grampeado - quem terá acesso? o material será 'editado' ou armazenado em bruto? por quanto tempo poderá ser guardado? como preservar o contexto? São muitas as questões a serem reguladas. O mais difícil, nessa discussão, é que não se ignora que instituições que deveriam estar a serviço da sociedade estão, muitas vezes, nas mãos de pessoas cujos interesses são exclusivamente em função do benefício próprio ou de seu grupo. Outra coisa que não pode ser esquecida: qual foi mesmo o caso em que a falcatrua revelada pelo grampo resultou em punição de alguém com poder, ou ligado ao poder? É de se indagar qual foi o real motivo para o grampo.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
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Um comentário:
Na minha opinião, o problema não é o grampo, mas as falcatruas descobertas por ele. Se não há falcatruas, não há por que temer o grampo. Nunca vi notícia sobre conversas íntimas e pessoais sendo publicadas. Somente as que dizem respeito à coisa pública e isso me interessa muito, seja em qual for o governo e sob qual for a sigla que estiver no comando, porque somos nós, o público, que financiamos este país. A Abin deveria ser independente e grampear todos os envolvidos com a coisa pública (inclusive os membros da Abin). Quem quisesse ser "homem/mulher público", teria que aceitar esta condição. Selvagem? Sim. E quem disse que este país é muito mais civilizado do que isso?
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