quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Obama

Obama

Beta Timm pergunta: quando o Barack Obama critica o discurso racista da antiga geração de negros americanos ele é de direita ou de esquerda?

Resposta: justamente, ele não se alinha nem à direita nem à esquerda, pois são posições ultrapassadas. Barack Obama representa uma nova linha de pensamento. Sua visão de mundo é global, não é unilateral, nem nacional ou regional. Ele personifica o homem moderno, multicultural e multi-étnico. E prega a conciliação, a construção de um consenso mínimo, a coexistência da diversidade. Esta é a sua modernidade. Por isso Obama é fashion, e não popular. E por isso, a possibilidade de ele ser eleito presidente dos EUA, que é o país de maior influência no cenário mundial, representa uma esperança para o mundo todo. (Regina Vasquez)


Um comentário:

Unknown disse...

Posições ultrapassadas.
Esta tem sido a minha sensação quando escuto ou leio opiniões e análises geralmente definitivas e simplificadoras que partem do que ainda continua convencionado chamar, no Brasil, posições "de esquerda". Elas vão da
política à educação, passando pela cultura, a economia e até as questões de raça ou gênero.

Se nos EUA, Barack Obama representa uma nova linha de pensamento (não sem conflito com a velha geração), como menciona a Regina, por aqui a simples alusão ao fato de se dizer que "esquerda" e "direita" são posições ultrapassadas é garantia de estigma: isso só pode ser coisa "de direita".

A leitura do livro do Obama (A Origem dos meus sonhos) confirma a idéia de que, bem antes de ser candidato à presidência, ele já pensava de forma global, multicultural e multi-étnica, recusando as simplificações das fórmulas negro-bom/branco-mau ou pobre-certo/rico-errado, por exemplo. Já descrevia seu processo - doloroso - de descobrir que verdade não é senão uma crença inabalável em alguma ou qualquer afirmação.

A verdade do pensamento de esquerda no Brasil está cristalizada nas teorias pedagógicas salvacionistas, na cultura engajada, nas críticas sociológicas e filosóficas maniqueístas, na expressão eloquente e vazia das palavras de ordem da juventude-sem-conhecimento-mas-com-opinião, no messianismo a-histórico e, principalmente, na postura de desqualificação de qualquer interlocutor pela atitude inquisitorial de qualificá-lo "de direita".

O grande desafio da esquerda brasileira é quebrar os muros do próprio discurso e levar à prática a idéia básica da diversidade.

Sim, uma vitória do Obama poderia ser uma esperança de que a flexibilidade e a multiplicidade de pensamento ainda não está morta e enterrada no planeta Terra.

Seria bom se alguém avisasse a esquerda brasileira sobre isso...

Beta